Espiritualidade

A espiritualidade sustenta nossa vida e missão. É cristocêntrica e encarnada na realidade dos migrantes. Fundamenta-se em Deus que peregrina com seu povo e, em Jesus Cristo que coloca sua tenda entre nós. É vivida em comunidade, alimentada por meio da Eucaristia, da devoção a Maria, da escuta da Palavra de Deus e dos apelos dos migrantes. 

Para nós, Irmãs MSCS, a espiritualidade, a exemplo do fundador, o bem-aventurado João Batista Scalabrini, e dos co-fundadores, os Servos de Deus, Padre José Marchetti e Madre Assunta Marchetti, tem como centro Jesus Cristo peregrino entre nós (Jo 1,14) e caminho rumo à plenitude da comunhão trinitária, meta de nossa espiritualidade e missionariedade.

A experiência de fé vivida pelo beato Scalabrini está centrada em Jesus Cristo, o Verbo de Deus Encarnado em nossa história. 

O beato Scalabrini escreveu que “um pintor que queira retratar fielmente, qualquer pessoa amada, na tela, que faz? Tem sempre os olhos sobre aquela pessoa, para não fazer traços que não se assemelham ao original. Assim, devemos fazer nós. É necessário que todos os nossos pensamentos, palavras, ações, nossos desejos, disposições, sofrimentos, sejam como outros tantos traços de pincel, que formam e exprimem em nós, traços da vida de Jesus Cristo, até nos tornar outras cópias suas” (Uma Voz Atual, p. 16).

Jesus Cristo, o enviado do Pai para nos salvar, sente compaixão pela humanidade sofredora, torna-se Luz do mundo, Caminho, Verdade e Vida. 

Por isso a espiritualidade scalabriniana vivida e partilhada pelas irmãs scalabrinianas integra como eixos primordiais: a compaixão pelo migrante no encontro e na relação interpessoal, a centralidade de Jesus Cristo peregrino e unidade entre ação e contemplação a exemplo do fundador e co-fundadores.

A profunda vida de fé move Scalabrini a configurar-se com Cristo e a propor este ideal a todos. À luz desta chama divina mobiliza todas as suas energias no empenho de conhecer Cristo, julgar, esperar, amar e agir segundo o Seu coração para identificar-se com Ele e fazer-se tudo para todos, a fim de ganhar todos para Cristo. Como o Bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas, assim Scalabrini deseja que todos tenham a vida e a tenham em abundância (cf. Jo 10,10).

Para Scalabrini, uma vez conhecido Jesus Cristo e nele Deus Pai, Cristo é reconhecido em todos. Aqui se encontra a unidade que Scalabrini sabe criar em sua vida, a passagem imediata e ininterrupta entre a adoração de Cristo Eucarístico e o serviço a Cristo presente nas pessoas e nos acontecimentos. 

Toda a sua rica atividade apostólica encontra seu segredo na profunda contemplação de Deus, conforme o significado de seu brasão episcopal: “toda a realidade é uma escada”. Significando que Deus se doa às pessoas e desce em direção a elas na encarnação do Filho. Toda a criação é elevada pelo Verbo Encarnado e sobe com Ele para Deus. 

Viver a espiritualidade scalabriniana é identificar-se com Jesus Cristo, reconhecê-Lo nas pessoas e nelas prestar-lhe serviço, a exemplo do Bom Samaritano apresentado no Evangelho de Lucas, (Lc 10, 25-37).